Wednesday, April 25, 2007

O gosto pelas cidades

Estou no escritório pensando onde vou almoçar e o que farei depois do almoço. Tenho 1 hora e meia de almoço. Fico tão feliz com isso! Geralmente desço do prédio meio que no automático lendo as notícias no site do Terra no elevador e apesar de não gostar muito de sol a primeira coisa que faço ao descer é procurar o sol. É tão estranho passar quase que o dia todo numa sala em janela e sem ter a menor noção se chove ou faz sol. S E a procura pelo sol é só pra ter aquela primeira sensação de esquentar que os raios proporcionam mas depois de alguns segundos já queria sair correndo pois o sol aqui nunca é aquele sol gostosinho, pelo contrário, é um sol pesado, sempre lembro da Clarice Lispector quando ela descreve em dos contos que o calor está como um elefante pesado hehehe sempe penso nisso e além do peso fica aquele bafão do grandes!! Acho que é o próprio elefante bocejando, né?
Eu gosto muito do visual do Rio e da leveza da cidade - mesmo com essa violência doida que graças a Deus eu nunca vi- mas não gosto do clima úmido que têm aqui. Fica uma coisa meio melequenta, sei lá! Você olha pras pessoas e ta aquele clima pesado, de rosto brilhando muuito! Olhos cansados, uma coisa mesmo pesada! E aquelas velhotas com cara enrrugada de tanto pegar sol, hein? Que coisa mais velhota, ops garota de Ipanema!!
Eu também gosto de São Paulo. Gosto da arquitetura e de uns lugares bacanas que minha amiga me leva pra comer. Gosto das coisas com cara moderna e prática que rola por lá! O cinza do céu me lembra Londres - outra cidade que eu amo- e as pessoas também me lembram um pouco Londres, os paulistanos e ainda assim uma parcela deles, pois ninguém merece a onda mano que invadiu a cidade e insiste em ficar. Adoro passar pela Av. Brasil, é um bonito diferente. E o parque então....será q um dia poderei morar perto do parque?
Pensando melhor eu gosto mesmo é de cidades grandes onde posso ter a idéia mais absurda do mundo a qualquer hora do dia e por muito pouco posso não encontrar o que eu procuro. A idéia de morar em um lugar onde não tenho várias páginas de opções de cinema no jornal de sexta-feira me irrita muito! Ou de ver que tal cidade tem tal exposição que eu provavelmente nunca poderei ver. Nem tem graça brincar de ser adulto em cidades do interior, né? Aqui a gente sempre tem alguma coisa pra fazer e a brincadeira fica muito mais divertida.
Quando ia no interior visitar amigos, parentes ou qualquer coisa do gênero me dava uma aflição muito grande de ter que comprar tudo mais cedo se não tal coisa ia fechar. Em Minas, numa das cidades que fui por exemplo, dia de sábado se você quisesse comprar bolo era só até as 8 da noite! Imagina você com uma bola de cristal pela manhã já mentalizando o que você vai querer comer mais tarde! E se a bola falhar? E se nem bola você tiver? Quanto desperdiço, hein?
Sabe que a primeira vez que comi açúcar cristal foi numa dessas cidades mineiras? Todo feliz que ia comer abacate tirado do pé! Nunca tinha visto um abacateiro! E aí, pedi açúcar pra pôr em cima - todas essas frutas que tem possibilidade de cortar e ser servida em prato eu ponho açúcar - e quando vi aquilo meu cérebro na hora recusou:
- Hey, isso não é açúcar!
- É sim! Não faz tanto mal a saúde. Come menino!
- Eu não! Coisa esquisita. Tem pedra nisso e nem doce é! Não tem..açúcar?
- Só esse mesmo ou melado!
- Mel? Melado com abacate? Ecaaaaaaa
Então ta bom, né? Comi abacate com cristais e nem fiquei feliz!
Sabe o que é bacana nessas grandes cidade além do lugar comum? Os cantinhos escondidos que só quem mora conhece. No Rio tem a Urca e um pista de corrida que têm o visual mais lindo que já vi. Parece que a vida não passou. Pescadores, idosos sorrindo com seus filhos cães e aí você senta e fica lá vendo o pôr-do-sol na praia. Tem tantos lugares assim...Em São Paulo eu gosto muito do Rockets, é um restaurante com estilo anos 70, com jukebox e a melhor limonada do mundo! E em Londres os parques! Não consigo esquecer da primeira vez que pisei em um. Todos esses lugares são cenários de filmes pra mim. Por que parece que ali não tem existe maldade, não existe gente lama, não existe essa transformação doida que o ser humano vêm sofrendo ao longo dos anos. Não é surreal ver que o ser humano tá se transformando em um ser cada vez mais podrinho? Odeio gente competitiva! O invejoso eu tenho pena, sabia? Já o altamente competitivo é uma bosta! Falta tudo nesse indivíduo! A Clarice diz uma frase bacaníssima: Respeite a você mais do que os outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie a você mesmo - e esse é o único meio de viver ! Outro dia eu penso se ando me respeitando...
Agora estou indo almoçar e sempre tentando pensar que tudo é um grande cenário de filme, assim as coisas ficam mais leves. Eu não sei vocês, mas eu não tenho a menor esperança de mudança nesse país. Cada vez mais vejo que surgem ilhas de contato com pessoas bacanas, ilhas de lazer, ilhas de cultura, ilhas de educação, ilhas e mais ilhas das coisas que deveriam ser comum a todos.
Música do Dia: Aqui no mar - trilha da Pequena Sereia
O fruto do meu vizinho
Parece melhor que o meu
Seu sonho de ir lá em cima
Eu creio que é engano seu
Você tem aqui no fundo
Conforto até demais
É tão belo o nosso mundo
O que é que você quer mais?
Onde eu nasci, onde eu cresci
É mais molhado
eu sou vidrado por tudo aqui
Lá se trabalha o dia inteiro
Lá são escravos do dinheiro
A vida é boa, eu vivo à toa
Onde eu nasci
Um peixe vive contente
Aqui debaixo do mar
E o peixe que vai pra terra
Não sabe onde vai parar
Às vezes vai pra um aquário
O que não é ruim de fato
Mas quando o homem tem fome
O peixe vai para o prato
Vou lhe contar, aqui no mar
Ninguém nos segue, nem nos persegue pra nos fritar
Se os peixes querem ver o sol
Tomem cuidado com o anzol
Até o escuro é mais seguro
Aqui no mar (aqui no mar)
Onde eu nasci (Onde eu nasci)
Neste oceano entra e sai ano, tem tudo aqui
Os peixes param de nadar
Quando é hora de tocar
Temos a bossa que é toda nossa
Aqui no mar
Tritão sopra a flauta e a carpa na harpa
A solha no baixo, melhor som não acho
E aqui nos metais tem peixe demais
Esperem que temos mais
Ninguém toca mal, nem o bacalhau
A truta dançando e o preto cantando
Até o salmão em para o salão
Até o salmão em para o salão
E olhem quem vem soprar
Aqui no mar (aqui no mar)
Aqui no mar (aqui no mar)
Até a sardinha entra na minha e vem cantar
E se eles têm monte de areia
Nós temos coro de sereia
Qualquer molusco sempre que eu busco sabe tocar
Até a lesminha sai da conchinha e vem dançar
caracolzinho tira um sonzinho
Por isso a gente daqui é quente
Faz um programaAté na lama
Aqui no mar