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Monday, January 19, 2009

2009 chegou e que medo!

2009 foi anunciado como o ano de crise econômica. O ano começou com tudo. Um verão como não se via há tempos no Rio, chuvas de verão com hora marcada, engarrafamentos sem grandes motivos, mortes em cruzeiros bacanas, famílias inteiras de bolivianos nas ruas brasileiras e pouca falta de paciência. E não será só o ano da crise econômica será também o ano da crise pessoal. Eu estava com mil planos profissionais e chegou tudo que eu quis só que de forma distorcida e tenho pouco menos de um mês para decidir. Concurso público ou empresa privada? Rio ou São Paulo?Uns amigos comentaram comigo a mesma coisa dessa estranheza de começo de ano e... de novo é culpa da porra do inferno astral? Ou o que?
Esse fim de semana fiquei no Rio e fui os dois dias na praia: reserva na Barra e Ipanema. Passei à tarde com uma grande amiga na reserva conversando e tomando banho de mar. O dia tava lindo, a praia sempre vazia e sem vendedores gritando no nosso ouvido. Senti falta daquele mate geladinho com água duvidosa, mas domingo matei a vontade. Entre um mergulho e outro fiquei pensando na minha vida, olhando o céu azul e claro da Barra, o silêncio imenso no fundo do mar, nos meus 32 anos completados há pouco tempo, no namoro de nove meses, na minha família, nos meus sobrinhos, nos meus poucos amigos, nos livros que eu já li, nos que eu gostaria de ler e nos conselhos que tinha dado minutos atrás para essa amiga. E às vezes eu não percebo, mas o tempo todo a vida é feita de escolhas. E como isso é ruim. Para mim é um sofrimento ter que escolher.Eu fui fazer Biblioteconomia e depois de um mês estudando saiu a lista da UERJ e poderia ter ido fazer economia lá, mas escolhi continuar na biblioteconomia. Depois os estágios começaram e fiquei ao máximo que podia em cada um deles sem ter que escolher nada. Até escolhi, mas deixei para o último minuto. O velho medo de mudança sempre esteve presente na minha vida.
Domingo fui com outros amigos a Ipanema e lá ficamos matando saudades e tomando banhos alternados entre o mar e o chuveirão. Não refleti nada. Apenas observava as pessoas a nossa volta e comentava quando era engraçado ou estranho. E Ipanema consegue reunir em poucos metros quadrados tribos tão diferentes que nem é preciso levar livro para ler. Basta “ler” as pessoas em volta. Engraçado como piercing e tatuagens ainda estão em alta. Homens e mulheres narcisistas que tomam sol se olhando o tempo todo. Casais de gays se beijando, casais de heteros jogando baralho, amigos de beck em rodinhas, amigos de cerveja, amigos de futvoley, solitários com jornais do dia, “piriguetes” atentas (os) para as oportunidades, turistas com queimaduras de segundo grau e um sol lindo abençoando a democracia praiana. Depois fomos caminhando até Copa para encontrar outro amigo e seu novo namorado. Caminhada linda. A roda gigante da Skol no Forte. A praia lotada e dois ensaios de escolas de samba ao longo da Atlântica. Ficamos sentados em frente ao Copacabana Palace e entre uma foto e outra eu observava calado a beleza da minha cidade. Encontramos o amigo e o namorado calado e conversamos alguns minutos. Os anos passam e as pessoas mudam. Apesar das novidades parecia que estava em uma entrevista. E todos com planos e todos confiantes que tudo dará certo. E assim vim embora pensando em escolhas, planos, realidade, sonhos e como devemos fazer para tomar decisões. Seria entre um mergulho e outro? Entre uma caminhada e outra? Entre uma risada e outra? Entre um choppinho bem gelado e outro? É nesses intervalos de fazer uma coisa e outra que tomamos alguma decisão? E essa decisão é a mais importante das nossas vidas? Tem volta? Temos permissão de desistir? Depois deitei na cama e pensei e pensei que algumas vezes no ano somos convidados a sair do nosso estado de conforto e estou avaliando o convite que provoquei no meio do inferno astral e não sei o que fazer. Queria ser criança de novo para decidir se ia brincar de playmobil ou de explorador.

Wednesday, April 25, 2007

O gosto pelas cidades

Estou no escritório pensando onde vou almoçar e o que farei depois do almoço. Tenho 1 hora e meia de almoço. Fico tão feliz com isso! Geralmente desço do prédio meio que no automático lendo as notícias no site do Terra no elevador e apesar de não gostar muito de sol a primeira coisa que faço ao descer é procurar o sol. É tão estranho passar quase que o dia todo numa sala em janela e sem ter a menor noção se chove ou faz sol. S E a procura pelo sol é só pra ter aquela primeira sensação de esquentar que os raios proporcionam mas depois de alguns segundos já queria sair correndo pois o sol aqui nunca é aquele sol gostosinho, pelo contrário, é um sol pesado, sempre lembro da Clarice Lispector quando ela descreve em dos contos que o calor está como um elefante pesado hehehe sempe penso nisso e além do peso fica aquele bafão do grandes!! Acho que é o próprio elefante bocejando, né?
Eu gosto muito do visual do Rio e da leveza da cidade - mesmo com essa violência doida que graças a Deus eu nunca vi- mas não gosto do clima úmido que têm aqui. Fica uma coisa meio melequenta, sei lá! Você olha pras pessoas e ta aquele clima pesado, de rosto brilhando muuito! Olhos cansados, uma coisa mesmo pesada! E aquelas velhotas com cara enrrugada de tanto pegar sol, hein? Que coisa mais velhota, ops garota de Ipanema!!
Eu também gosto de São Paulo. Gosto da arquitetura e de uns lugares bacanas que minha amiga me leva pra comer. Gosto das coisas com cara moderna e prática que rola por lá! O cinza do céu me lembra Londres - outra cidade que eu amo- e as pessoas também me lembram um pouco Londres, os paulistanos e ainda assim uma parcela deles, pois ninguém merece a onda mano que invadiu a cidade e insiste em ficar. Adoro passar pela Av. Brasil, é um bonito diferente. E o parque então....será q um dia poderei morar perto do parque?
Pensando melhor eu gosto mesmo é de cidades grandes onde posso ter a idéia mais absurda do mundo a qualquer hora do dia e por muito pouco posso não encontrar o que eu procuro. A idéia de morar em um lugar onde não tenho várias páginas de opções de cinema no jornal de sexta-feira me irrita muito! Ou de ver que tal cidade tem tal exposição que eu provavelmente nunca poderei ver. Nem tem graça brincar de ser adulto em cidades do interior, né? Aqui a gente sempre tem alguma coisa pra fazer e a brincadeira fica muito mais divertida.
Quando ia no interior visitar amigos, parentes ou qualquer coisa do gênero me dava uma aflição muito grande de ter que comprar tudo mais cedo se não tal coisa ia fechar. Em Minas, numa das cidades que fui por exemplo, dia de sábado se você quisesse comprar bolo era só até as 8 da noite! Imagina você com uma bola de cristal pela manhã já mentalizando o que você vai querer comer mais tarde! E se a bola falhar? E se nem bola você tiver? Quanto desperdiço, hein?
Sabe que a primeira vez que comi açúcar cristal foi numa dessas cidades mineiras? Todo feliz que ia comer abacate tirado do pé! Nunca tinha visto um abacateiro! E aí, pedi açúcar pra pôr em cima - todas essas frutas que tem possibilidade de cortar e ser servida em prato eu ponho açúcar - e quando vi aquilo meu cérebro na hora recusou:
- Hey, isso não é açúcar!
- É sim! Não faz tanto mal a saúde. Come menino!
- Eu não! Coisa esquisita. Tem pedra nisso e nem doce é! Não tem..açúcar?
- Só esse mesmo ou melado!
- Mel? Melado com abacate? Ecaaaaaaa
Então ta bom, né? Comi abacate com cristais e nem fiquei feliz!
Sabe o que é bacana nessas grandes cidade além do lugar comum? Os cantinhos escondidos que só quem mora conhece. No Rio tem a Urca e um pista de corrida que têm o visual mais lindo que já vi. Parece que a vida não passou. Pescadores, idosos sorrindo com seus filhos cães e aí você senta e fica lá vendo o pôr-do-sol na praia. Tem tantos lugares assim...Em São Paulo eu gosto muito do Rockets, é um restaurante com estilo anos 70, com jukebox e a melhor limonada do mundo! E em Londres os parques! Não consigo esquecer da primeira vez que pisei em um. Todos esses lugares são cenários de filmes pra mim. Por que parece que ali não tem existe maldade, não existe gente lama, não existe essa transformação doida que o ser humano vêm sofrendo ao longo dos anos. Não é surreal ver que o ser humano tá se transformando em um ser cada vez mais podrinho? Odeio gente competitiva! O invejoso eu tenho pena, sabia? Já o altamente competitivo é uma bosta! Falta tudo nesse indivíduo! A Clarice diz uma frase bacaníssima: Respeite a você mais do que os outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie a você mesmo - e esse é o único meio de viver ! Outro dia eu penso se ando me respeitando...
Agora estou indo almoçar e sempre tentando pensar que tudo é um grande cenário de filme, assim as coisas ficam mais leves. Eu não sei vocês, mas eu não tenho a menor esperança de mudança nesse país. Cada vez mais vejo que surgem ilhas de contato com pessoas bacanas, ilhas de lazer, ilhas de cultura, ilhas de educação, ilhas e mais ilhas das coisas que deveriam ser comum a todos.
Música do Dia: Aqui no mar - trilha da Pequena Sereia
O fruto do meu vizinho
Parece melhor que o meu
Seu sonho de ir lá em cima
Eu creio que é engano seu
Você tem aqui no fundo
Conforto até demais
É tão belo o nosso mundo
O que é que você quer mais?
Onde eu nasci, onde eu cresci
É mais molhado
eu sou vidrado por tudo aqui
Lá se trabalha o dia inteiro
Lá são escravos do dinheiro
A vida é boa, eu vivo à toa
Onde eu nasci
Um peixe vive contente
Aqui debaixo do mar
E o peixe que vai pra terra
Não sabe onde vai parar
Às vezes vai pra um aquário
O que não é ruim de fato
Mas quando o homem tem fome
O peixe vai para o prato
Vou lhe contar, aqui no mar
Ninguém nos segue, nem nos persegue pra nos fritar
Se os peixes querem ver o sol
Tomem cuidado com o anzol
Até o escuro é mais seguro
Aqui no mar (aqui no mar)
Onde eu nasci (Onde eu nasci)
Neste oceano entra e sai ano, tem tudo aqui
Os peixes param de nadar
Quando é hora de tocar
Temos a bossa que é toda nossa
Aqui no mar
Tritão sopra a flauta e a carpa na harpa
A solha no baixo, melhor som não acho
E aqui nos metais tem peixe demais
Esperem que temos mais
Ninguém toca mal, nem o bacalhau
A truta dançando e o preto cantando
Até o salmão em para o salão
Até o salmão em para o salão
E olhem quem vem soprar
Aqui no mar (aqui no mar)
Aqui no mar (aqui no mar)
Até a sardinha entra na minha e vem cantar
E se eles têm monte de areia
Nós temos coro de sereia
Qualquer molusco sempre que eu busco sabe tocar
Até a lesminha sai da conchinha e vem dançar
caracolzinho tira um sonzinho
Por isso a gente daqui é quente
Faz um programaAté na lama
Aqui no mar

Sunday, April 01, 2007

As indas e vindas

Eu aprendi a ler com as placas ao longo da Via Dutra! Desde pequeno fazia o trajeto São Paulo x Rio e depois São José dos Campos x Rio até que o caminho e a vida se inverteram! Ir ao Rio era passeio, morar no Rio no início era estranho! Apesar da proximidade com SJC as coisas mudam muito! As pessoas num primeiro momento são mais abertas a novas amizades mas não sabem muito bem como administra-las, tem-se um circulo maior de amizade mas muito mais rotativo! E até onde é bom ter tantos amigos assim? Até os 20 e poucos anos parece legal, depois vamos ficando mais exigentes e na lista de 20, 30 sobram apenas 5, 6 amigos e desses aí 1 ou 2 são os que você realmente pode contar. Nem sempre pra contar segredos, por que como a Marisa Monte diz em uma de suas novas músicas "...é só mistério, não tem segredos" a vida fica mesmo mais interessante quando temos apenas mistérios, já os segredos são pesados! Tem cara de novela mexicana, né? E vida sem mistério é meio monótona, não? Acho bacana aquela sensação de quando você está conhecendo alguém e não sabe muito bem sobre a vida ou gosto, fica uma boa sensação de mistério, mesmo que na maioria das vezes a gente faz da vida da pessoa muito mais interessante do que ela realmente é!
Ter mudado pro Rio me deixou menos tímido e mais esperto pra um monte de coisas e ainda de quebra me trouxe o gosto maior de ouvir MPB. Certamente essa mudança me tornou mais leve, não que SP seja pesado, mas de certa forma tanta regra faz com que as pessoas percam um pouco 'do fazer a coisa agora' é preciso marcar, é preciso ser agendado, é preciso seguir as regras...e ontem na Av. Paulista sob uma chuvinha que caia na cidade descobri que essa minha sensação de 'paulistanos seguem regras' é a mesma que uma amiga da Bahia sente. A vida tem q ser vivida de forma mais tranquila. sem regras...regras servem pro trabalho, pra coisas chatas! Pra encontros, pra pessoas jamais!! E como as pessoas em SP tem essa mania de seguir as regras do grande livro de lá...não sabem o que estão perdendo...Será que somente cidades litorâneas não seguem tais regras?
Hoje em dia penso em voltar pra SP, minha melhor amiga mora por lá, gosto do ritmo organizado da cidade, da noite badalada, da possibilidade de ter uma vida mais confortável, só espero levar comigo as regras do grande livro das cidades litorãneas e não ter que ter regras pra pessoas, deixa que a vida tome conta disso, a gente só precisa estar mesmo disponível! e seguir nossas vontades, seguir a lua, ou qualquer barulhinho bom que nos leve ao que ao nossos olhos parece inacessível.
Música do dia: Realejo - O Teatro Mágico - Que tem como fotógrafa a minha amiga Nathalie Colas!
Será que a sorte virá num realejo?
Trazendo o pão da manhã
A faca e o queijo
Ou talvez... um beijo teu
Que me empreste a alegria... que me faça juntar
Todo resto do dia... meu café, meu jantar
Meu mundo inteiro...que é tão fácil de enxergar...
E chegar
Nenhum medo que possa enfrentar
Nem segredo que possa contar
Enquanto é tão cedo
Tão cedo
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim
Será que a noite vira num vilarejo
Vejo a ponte que levara o que desejo
Admiro o que há de lindo e o que há de ser... você
Enquanto for... um berço meu
Enquanto for... um terço meu
Serás vida... bem vinda
Serás viva... bem viva
Em mim
"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem"